Inadimplência dispara em MS e ultrapassa média nacional em junho

O número de inadimplentes em Mato Grosso do Sul cresceu 9,31% em junho de 2026, na comparação com junho de 2025, aponta FCDL-MS

O número de inadimplentes em Mato Grosso do Sul cresceu 9,31% em junho de 2026, na comparação com junho de 2025. O dado, divulgado pelo SPC Brasil, fica acima da média da região Centro-Oeste, de 6,89%, e também acima da média nacional, de 7,55%. Na passagem de maio para junho, o número de devedores no estado avançou 0,26%, ritmo semelhante ao registrado na região, de 0,22%, mas distinto do movimento nacional, que recuou 0,30% no período.

Levantamento da FCDL-MS, que complementa os dados do SPC Brasil, mostra um retrato ainda mais amplo do endividamento no estado, quase metade da população de Mato Grosso do Sul está com o nome sujo. O número reforça a urgência do tema e confirma uma tendência que já vinha se desenhando nos últimos meses, com impacto direto sobre o consumo e o comércio local.

Quem é o devedor sul-mato-grossense

O perfil do inadimplente no estado tem um recorte claro. A faixa de 30 a 39 anos concentra a maior fatia dos devedores, com 25,65% do total. Homens e mulheres dividem o cenário de forma quase igual, 50,39% e 49,61%, respectivamente. A idade média do devedor é de 45,4 anos.

Cada consumidor negativado devia, em média, R$ 6.012,54 somando todas as dívidas em atraso. Um dado chama a atenção, 26,52% dos devedores têm débitos de até R$ 500, percentual que sobe para 38,49% quando somadas as dívidas de até R$ 1.000. Boa parte das pendências é de baixo valor, mas basta para manter o nome negativado.

Dívidas antigas e em número crescente

O tempo médio de atraso passou de dois anos, 28,5 meses. Mais de um terço dos devedores, 35,95%, carrega dívidas entre um e três anos sem regularizar. O volume de dívidas em atraso no estado também cresceu, 18,09% em relação a junho de 2025, novamente acima da média do Centro-Oeste, de 12,69%, e da média nacional, de 13,32%.

Na prática, cada inadimplente sul-mato-grossense acumula em média 2,424 dívidas em atraso ao mesmo tempo, número próximo da média regional e acima da média do país.

Bancos lideram as pendências

Entre os setores credores, os bancos concentram a maior fatia das dívidas em atraso no estado, 63% do total. Comércio aparece em seguida, com 11,43%, água e luz somam 10,91%, outros segmentos representam 9,91% e comunicação fecha com 4,75%. O crédito bancário segue como o principal ponto de pressão sobre o orçamento das famílias sul-mato-grossenses.

A FCDL-MS reforça a orientação para que o consumidor organize as prioridades de pagamento, procure o credor para negociar prazos e valores e evite acumular novas dívidas enquanto regulariza as pendências existentes. Para o lojista, a entidade recomenda cautela na concessão de crédito e acompanhamento próximo do comportamento de pagamento do público local, uma forma de proteger o caixa sem deixar de vender.

Resumo dos dados:

Inadimplentes cresceram 9,31% em 12 meses, acima da média nacional (7,55%) e do Centro-Oeste (6,89%)
Levantamento da FCDL-MS aponta que quase metade da população de MS está inadimplente
Faixa etária mais afetada, 30 a 39 anos (25,65% dos devedores)
Dívida média por consumidor negativado, R$ 6.012,54
38,49% dos devedores têm dívidas de até R$ 1.000
Tempo médio de atraso, 28,5 meses
Número de dívidas em atraso cresceu 18,09% em 12 meses
Bancos concentram 63% das dívidas em atraso no estado

Fonte: SPC Brasil (junho/2026) e levantamento FCDL-MS

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