Os dados setoriais de Mato Grosso do Sul referentes a dezembro de 2024 foram divulgados pelo IBGE, permitindo um balanço do ano e a comparação com os anos anteriores. No comércio, os números mostram duas duas realidades. Olhando apenas para o desempenho das atividades classificadas como “comércio varejista”, que desconsidera veículos, materiais para construção e atacadista de alimentação e bebidas, as vendas cresceram na comparação com 2023. Olhando para o setor como um todo, as vendas recuaram. O recuo foi menor do que aquele observado na comparação entre 2023 e 2022. Isso é bom, mas deixa a sensação de que poderia ter sido melhor. Eis o desafio colocado para 2025: fazer o desempenho das diferentes atividades comerciais convergir para o crescimento. O cenário macroeconômico impõe alguns desafios: estamos no meio de um ciclo de alta da taxa básica de juros. Além disso, a inflação mostra-se persistente. A boa notícia, ao menos para o estado, vem do campo. Se a economia do estado sofreu em 2024 com os efeitos da quebra de safra, em 2025 o cenário projetado é melhor para a produção agrícola. Pode ser a chance de recuperação do setor de serviços e do varejo ampliado.
VENDAS DO VAREJO
Varejo ampliado encerra 2024 com queda de 1,4% nas vendas ante 2023; comércio varejista, que desconsidera atividades comerciais específicas, registra avanço de 5,4%.

Os dados do comércio referentes a dezembro de 2024 foram divulgados pelo IBGE, completando o quadro do último ano para o setor em Mato Grosso do Sul. Os resultados mostram que as vendas do varejo ampliado recuaram 2,2% na comparação mensal, isto é, entre dezembro e novembro de 2024. Com esse resultado, o segmento que reúne todas as atividades comerciais recuou 1,4% na comparação entre 2024 e 2023.
Em suma, ainda resta o desafio de retomar o dinamismo do comércio no estado. O desempenho de 2024 foi afetado por dificuldades conjunturais que afetaram o setor agrícola e o setor de serviços. No entanto, uma parte do comércio ainda cresceu. As vendas do comércio varejista, que desconsidera as vendas de “Veículos, motocicletas, partes e peças”, “Materiais para construção” e “Atacadista de alimentação e bebidas”, cresceram 5,4% na comparação entre 2024 e 2023.
SERVIÇOS, AGRO E INDÚSTRIA
Dados de dezembro confirmam queda da prestação de serviços em 2024, depois de três anos de alta; produção industrial cresce

Os dados de dezembro de 2024 permitem completar o quadro do ano para os demais setores do estado. Conforme a tendência apresentada em meses anteriores, o setor de serviços registrou queda expressiva da atividade em 2024. O recuo foi de 6,5% e sucedeu três anos seguidos de crescimento do setor. Vale destacar que, em 2021, o volume de prestação de serviços no estado cresceu 11,3%, apresentando um desempenho bastante expressivo. O recuo do setor de serviços em 2024 sugere uma desaceleração do PIB local, dada a relevância desse setor para a economia. Já a produção industrial cresceu 3,5% no ano, um resultado que sucede uma queda de 0,8% em 2023. Na produção agrícola, as projeções já olham para 2025. Estima-se que a produção de grãos no estado deverá crescer 29,4%, depois da queda registrada em 2024 devido às adversidades climáticas. O desempenho esperado para o estado está bem acima da média nacional (11,1%).
MERCADO DE TRABALHO
Dados do CAGED mostram que comércio de Mato Grosso do Sul registrou saldo de 3.873 vagas formais criadas em 2024

Em 2024, de acordo com dados do CAGED, o comércio do estado de Mato Grosso do Sul registrou um saldo de criação de 3.873 vagas formais. O setor que liderou a criação de vagas foi a Indústria, com saldo de 6.974 vagas criadas no ano. O saldo de vagas representa a diferença entre o total de admissões e o total de demissões em um determinado período. Quando negativo, significa que as demissões superaram as admissões. Considerando o conjunto de todos os setores, 12,4 mil vagas formais foram criadas no estado, abaixo do verificado ao longo de 2023. A análise dos últimos cinco anos mostra que, a partir de 2022, o saldo de criação de vagas passou a cair no estado. O dado de 2024 reflete a desaceleração econômica que afeta do estado. Por fim, o comércio local é o empregador de 23% do total de empregos formais do estado, que chegou a 670,4 mil em 2024.
EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES
No primeiro dado de 2025, saldo da balança comercial cresce na comparação com janeiro de 2023

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, em janeiro de 2025, o saldo da balança comercial cresceu na comparação com janeiro de 2024. Em 2024, o saldo da balança comercial foi positivo, indicando que as exportações superaram as importações, mas foi menor do que o verificado em 2023. Esse fato está relacionado com a queda da produção agrícola. Voltando a janeiro de 2025, as exportações cresceram 0,9% ante janeiro de 2024, enquanto as importações recuaram 15,7%. Ainda de acordo com o painel do MDIC, Mato Grosso do Sul ocupa a 10ª posição no ranking de exportações das Unidades da Federação. Por fim, 42% do valor exportado em janeiro de 2025 teve a China como destino.
MERCADO DE CRÉDITO
Em 2024, crédito empresarial cresce acima da média nacional em Mato Grosso do Sul

Dados do Banco Central do Brasil mostram que o saldo de crédito a Pessoas Físicas (PF) encerrou 2024 estimado em R$ 93,8 bilhões no estado de Mato Grosso do Sul. Já o saldo de recursos destinados a Pessoas Jurídicas foi de R$ 34,9 bilhões. O saldo de crédito representa o valor em aberto, vencido ou a vencer, das operações de crédito e financiamento feitas através do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Analisando a evolução do saldo de crédito, observa-se que o saldo a PF cresceu 11,5% em 2024, com um desempenho próximo do observado na média nacional (12,1%). Por sua vez, o saldo de crédito destinado às empresas cresceu 17,8%, superando o desempenho médio nacional (9,1%). Por fim, a inadimplência bancária, medida como a proporção do saldo de crédito com atraso superior a 90 dias, encerrou 2024 na marca de 4,0% no segmento de Pessoas Físicas e de 3,1% no segmento de crédito empresarial.
CAMPO GRANDE
Comércio de Campo Grande cria 1.450 vagas formais em 2024, mostra CAGED; setor emprega 25% dos contratos formais na capital

Na capital de Mato Grosso do Sul, o comércio criou 1.405 vagas formais em 2024, alcançando o segundo melhor desempenho entre os setores. À frente veio o setor de Serviços, com saldo de 2.707 vagas criadas. O saldo de criação de vagas mostra a diferença entre o total de admissões e o total de demissões em um dado período. Analisando o conjunto de todos os setores, 6,3 mil vagas formais foram criadas ao longo do último ano – um resultado abaixo do verificado em 2023. Observa-se que, no primeiro ano de pandemia, o criação de vagas em Campo Grande foi negativa, indicando que as demissões superaram as admissões. Nos anos seguintes, porém, o mercado de trabalho recuperou-se. Por fim, do total de empregos formais da capital, estimado em 247,5 mil, 25% estão no comércio.
Em Campo Grande, IPCA registra alta de 4,6% nos 12 meses encerrados em janeiro de 2025
Dados apurados pelo IBGE mostra que a inflação oficial medida em Campo Grande foi de 4,6% no acumulado dos 12 meses encerrados em janeiro de 2025. O resultado ficou abaixo do observado nos meses anteriores. Nos 12 meses encerrados em dezembro de 2024, a alta média dos preços foi de 5,1%. Isso mostra que o ritmo de crescimento dos preços diminuiu, embora os preços continuem a subir. O detalhamento dos dados revela que os bens e serviços do grupo de “Alimentação e bebidas” tiveram a alta mais expressiva, chegando 8,9% nos 12 meses encerrados em janeiro de 2025. Em seguida, aparece o grupo de “Educação”, com alta média de 6,3%. O avanço dos preços desses itens tem sido notado pela população. Dois itens merecem destaque: em Campo Grande, o preço do café moído subiu, em média, 52,7%, enquanto o preço médio das carnes subiu 27,2% no acumulado de 12 meses.