Lideranças do varejo de MS acompanham na NRF 2026 a virada tecnológica que já começa a impactar o setor

“O que a NRF mostrou é que o futuro não está mais no discurso. Ele já está em operação. A Inteligência Artificial deixou de apoiar processos e passou a orquestrar o varejo como um sistema vivo, capaz de decidir, aprender e se adaptar continuamente”, avalia Inês Santiago, presidente da FCDL-MS

A NRF Nova York 2026 não foi apenas mais uma edição da maior feira de varejo do mundo. O setor deixou de testar Inteligência Artificial e passou a ser conduzido por ela. A avaliação é compartilhada pela presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), Inês Santiago, que esteve no evento ao lado do presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo.

Ao longo dos painéis, cases e anúncios apresentados, ficou evidente que o varejo global entrou em uma nova etapa de maturidade tecnológica. A IA deixou de ocupar um papel acessório e passou a operar como o eixo central das decisões, integrando estratégia, operação e relacionamento com o consumidor em tempo real.

“O que a NRF mostrou é que o futuro não está mais no discurso. Ele já está em operação. A Inteligência Artificial deixou de apoiar processos e passou a orquestrar o varejo como um sistema vivo, capaz de decidir, aprender e se adaptar continuamente”, avalia Inês Santiago.

Do varejo assistido ao varejo guiado por IA

A transição observada entre a NRF 2025 e a NRF 2026 foi apontada como um divisor de águas. Se no ano anterior a IA havia comprovado retorno sobre investimento — com ganhos de eficiência, redução de custos e melhorias na experiência do cliente —, agora ela assume protagonismo.

Soluções antes fragmentadas deram lugar a arquiteturas integradas, nas quais a Inteligência Artificial coordena toda a jornada de compra, do primeiro contato à finalização do pagamento e ao pós-venda. O exemplo mais emblemático apresentado foi a parceria entre Google e Walmart, na qual o consumidor realiza toda a experiência de compra por meio de uma única conversa com IA, sem etapas desconectadas ou fricções.

Esse modelo é sustentado pelo Universal Commerce Protocol (UCP), anunciado pelo CEO do Google, Sundar Pichai, que propõe um padrão global para o comércio digital, integrando busca, recomendação, checkout, logística e relacionamento em um único ecossistema inteligente.

Loja física reposicionada e pagamentos como estratégia

Outro ponto central da NRF 2026 foi a redefinição do papel das lojas físicas. Elas deixam de ser apenas pontos de venda e passam a funcionar como hubs de experiência, dados e relacionamento. Tecnologias como provadores inteligentes com RFID, displays imersivos e soluções baseadas em visão computacional mostram que o físico e o digital não competem — se complementam.

Os meios de pagamento também ganharam status estratégico. Pagamentos biométricos, checkouts invisíveis e experiências hiperpersonalizadas passaram a ser tratados como fatores diretos de conversão, fidelização e ganho de margem. Na prática, reduzir fricção no pagamento significa aumentar eficiência operacional e melhorar o desempenho financeiro do negócio.

Decisão em tempo real e IA como “copiloto executivo”

Um dos avanços mais sensíveis apresentados na NRF 2026 foi o uso da IA como suporte direto à tomada de decisão estratégica. Em vez de apenas gerar relatórios, a tecnologia agora simula cenários, antecipa impactos e recomenda ações com base em dados integrados.

Esse modelo evolui para o conceito de IA agêntica, com agentes especializados — de estoque, preço, vendas, logística e finanças — atuando de forma coordenada. O resultado é um varejo capaz de reagir em tempo real às mudanças do mercado, ajustando sortimento, preços e operações de forma dinâmica.

Alerta e oportunidade para o Brasil

Para a FCDL-MS, a principal mensagem deixada pela NRF 2026 é de que as tecnologias já estão disponíveis e acessíveis. O diferencial competitivo não está mais no acesso, mas na decisão de implementar.

“O Brasil tem uma oportunidade concreta de acelerar sua competitividade no varejo. Quem agir agora cria uma vantagem difícil de ser alcançada depois. Quem adiar corre o risco de ampliar o distanciamento em eficiência, experiência e rentabilidade”, destaca Inês Santiago.

A presença das entidades no principal evento global do setor mostra o compromisso em antecipar tendências, traduzir movimentos internacionais para a realidade local e preparar o comércio sul-mato-grossense para um cenário em que tecnologia, estratégia e consumidor passam a operar de forma integrada.

A NRF 2026 deixou um recado inequívoco: o varejo do futuro não está mais sendo desenhado. Ele já está em funcionamento.

Djeneffer Cordoba
Assessoria de Imprensa – FCDL-MS
Campo Grande – MS, 16 de janeiro de 2026

Compartilhe: