FCDL-MS alerta aos empresários que as dificuldades de crédito levam 34% dos consumidores a usarem nome de terceiros para compras

Levantamento revela que barreiras no acesso ao crédito formal e inadimplência impulsionam o uso de nomes de familiares e amigos para garantir o consumo

A dificuldade de aprovação de crédito nos canais formais tem levado uma parcela significativa dos consumidores a recorrer a uma prática arriscada, o uso do nome de terceiros para realizar compras a prazo. Segundo uma pesquisa recente realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, 34% dos brasileiros utilizaram o CPF de outra pessoa para consumir nos últimos 12 meses.

Em Mato Grosso do Sul, o cenário de inadimplência e o alto custo do crédito bancário também refletem essa tendência nacional. Para a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), o dado acende um alerta tanto para quem empresta quanto para o lojista sul-mato-grossense.

Necessidade versus Planejamento

Para a maioria dos entrevistados (62%), o “empréstimo” do nome não é uma escolha, mas a única saída diante de restrições financeiras. Entre os principais motivos estão:

  • Nome negativado (23%);
  • Limite de cartão ou cheque especial esgotado (20%);
  • Recusa de crédito pelas instituições financeiras (19%).

O setor de vestuário, calçados e acessórios foi o que mais registrou esse tipo de transação (26%), seguido por itens essenciais como compras em supermercados (21%) e medicamentos (17%).

O risco para o “Dono do CPF”

Embora a pesquisa aponte que 86% dos que utilizaram o nome de terceiros estão com as parcelas em dia, o risco jurídico e financeiro recai totalmente sobre quem cedeu os dados.

A FCDL-MS reforça a orientação nacional: perante a lei e o comércio, a dívida é de quem assinou o contrato ou forneceu o cartão. Se o pagamento não for honrado, é o nome do titular que será negativado no SPC, impactando o seu próprio poder de compra e o seu score de crédito no mercado estadual.

Impacto no Varejo Sul-Mato-Grossense

Para o lojista, a prática exige atenção redobrada na identificação do cliente. O uso de nomes de terceiros pode mascarar o real risco de crédito da venda e dificultar processos de cobrança futuros. A recomendação da FCDL-MS é que os estabelecimentos utilizem as ferramentas de consulta do SPC Brasil para garantir uma análise de crédito segura e orientem os consumidores sobre as facilidades de regularização de débitos, evitando que precisem recorrer a CPFs de terceiros para manter o consumo.

Compartilhe: