“Boa intenção pode virar desemprego”, alerta FCDL-MS após aprovação da mudança na escala de trabalho

Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas afirma que redução da jornada deve aumentar custos, pressionar preços e acelerar informalidade no país

A aprovação da proposta que reduz gradualmente a jornada de trabalho e altera a escala 6×1 na Câmara dos Deputados acendeu um alerta no setor produtivo brasileiro. Em Mato Grosso do Sul, a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL-MS) reagiu com forte preocupação à medida e afirmou que a mudança pode provocar aumento de preços, desemprego e pressão ainda maior sobre empresas e consumidores.

A avaliação da entidade é de que o Brasil discute redução de jornada em um momento considerado inadequado para a economia. Segundo a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, o país vive um cenário de alta carga tributária, custos elevados e perda de competitividade da indústria e do comércio nacional.

“A Federação recebe com bastante preocupação essa notícia, conforme já vinha se posicionando nos últimos meses sobre o quanto essa medida é nociva para o setor produtivo”, afirmou.

De acordo com a dirigente, mesmo com a implementação gradual prevista na proposta, o impacto será imediato nas empresas. “Duas horas de redução na jornada ainda este ano já vão gerar impacto. Isso significa aumento de custo para o setor produtivo e esse custo inevitavelmente chega ao consumidor”, disse.

A entidade afirma que o reflexo pode aparecer rapidamente no preço final de produtos e serviços, afetando justamente o trabalhador que seria beneficiado pela proposta. “Esse mesmo trabalhador será penalizado com aumento de preços e inflação mais alta”, pontuou Inês Santiago.

Outro ponto destacado pela FCDL-MS é o risco de aumento da informalidade e da substituição de mão de obra por automação. Para a Federação, empresas pressionadas por custos trabalhistas maiores tendem a reduzir contratações ou acelerar investimentos em tecnologia para compensar perdas operacionais.

A presidente da entidade também criticou a ausência de medidas estruturantes voltadas ao fortalecimento da economia e da produtividade nacional. “Esse não é o momento em que o Brasil precisa reduzir jornada. É o momento em que o país precisa de políticas estruturantes para manter o setor produtivo produzindo dentro do Brasil”, afirmou.

Segundo ela, a alta carga tributária continua sendo um dos principais problemas enfrentados pelas empresas brasileiras. “A carga tributária tem empurrado o setor produtivo para fora do Brasil e é ela que, na verdade, prejudica o trabalhador”, declarou.

A FCDL-MS defende que o debate sobre qualidade de vida e valorização do trabalhador precisa incluir temas como produtividade, tributação e geração sustentável de empregos.

“Se queremos qualidade de vida de verdade, precisamos discutir a carga tributária sobre a geração de empregos e sobre o salário do trabalhador”, concluiu Inês Santiago.

A proposta aprovada prevê redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, além do fim da escala 6×1, sem redução salarial. O texto segue agora para as próximas etapas de tramitação no Congresso Nacional.

Foto: Câmara Federal

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