Escala 6×1 ainda não acabou: proposta aguarda votação decisiva no Senado

Mudança na jornada de trabalho foi aprovada pela Câmara dos Deputados, mas ainda precisa passar por duas votações no Senado antes de entrar em vigor; FCDL-MS alerta para impactos sobre empresas, empregos e preços

A aprovação da proposta que reduz a jornada de trabalho e extingue gradualmente a escala 6×1 na Câmara dos Deputados gerou dúvidas entre empresários e trabalhadores de todo o país. Apesar da repercussão, a mudança ainda não está valendo e depende de novas etapas de tramitação no Congresso Nacional.

O texto foi aprovado pelos deputados federais no dia 27 de maio e agora aguarda votação em dois turnos no plenário do Senado Federal. Somente após a aprovação pelos senadores e a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) é que as novas regras poderão entrar em vigor.

A proposta prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial, além da garantia de dois dias de descanso por semana. Mesmo que o Senado aprove a matéria ainda neste semestre, as mudanças só começarão a valer 60 dias após a promulgação. As empresas ainda terão um período de transição de até 14 meses para adaptação completa.

A tramitação da PEC vem sendo acompanhada com preocupação pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), que se posiciona contrária à medida.

“A Federação recebe com bastante preocupação essa notícia, conforme já vinha se posicionando nos últimos meses sobre o quanto essa medida é nociva para o setor produtivo”, afirma a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago.

Segundo a dirigente, o impacto econômico da redução da jornada será sentido pelas empresas mesmo com a implementação gradual prevista no texto. “Duas horas de redução na jornada ainda este ano já vão gerar impacto. Isso significa aumento de custo para o setor produtivo e esse custo inevitavelmente chega ao consumidor”, destaca.

Na avaliação da Federação, a proposta pode pressionar preços, dificultar novas contratações e acelerar processos de automação em diversos segmentos da economia. “Esse mesmo trabalhador será penalizado com aumento de preços e inflação mais alta”, afirma Inês Santiago.

A entidade também defende que o debate sobre qualidade de vida e valorização do trabalhador seja acompanhado por medidas voltadas ao aumento da produtividade e à redução da carga tributária. “Esse não é o momento em que o Brasil precisa reduzir jornada. É o momento em que o país precisa de políticas estruturantes para manter o setor produtivo produzindo dentro do Brasil”, avalia.

Para a presidente da FCDL-MS, a discussão sobre emprego e renda passa necessariamente pelo ambiente econômico enfrentado pelas empresas. “A carga tributária tem empurrado o setor produtivo para fora do Brasil e é ela que, na verdade, prejudica o trabalhador.”

A Federação defende que a busca por melhores condições de trabalho seja construída com equilíbrio entre a proteção ao trabalhador e a capacidade das empresas de manter empregos e investir no crescimento da economia. “Se queremos qualidade de vida de verdade, precisamos discutir a carga tributária sobre a geração de empregos e sobre o salário do trabalhador”, conclui Inês Santiago.

Até que o processo legislativo seja concluído, permanecem em vigor as regras atuais da jornada de trabalho previstas na legislação brasileira.

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