Nome sujo, conta crescendo: endividados sobem 10% e reincidência chega a 87% em Mato Grosso do Sul

A FCDL-MS divulga os indicadores do SPC Brasil referentes a maio de 2026, com dados sobre endividamento e recuperação de crédito no estado

O Mato Grosso do Sul registrou crescimento expressivo na inadimplência em maio de 2026, segundo dados do SPC Brasil divulgados pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Mato Grosso do Sul (FCDL-MS). O número de consumidores negativados no estado subiu 10,31% em relação ao mesmo período do ano anterior, ritmo acima da média regional (7,08%) e da média nacional (8,87%).

Cada devedor sul-mato-grossense carregava, em maio, uma dívida média de R$ 6.036,03. O estado registrou ainda 2,426 pendências por inadimplente, número superior à média nacional de 2,336. O setor bancário concentrou a maior fatia das dívidas em atraso, com 64% do total, seguido por comércio (11,41%), água e luz (10,08%) e comunicação (4,67%).

O perfil do devedor aponta maior concentração na faixa de 30 a 39 anos, com 25,74% do total, e distribuição praticamente equilibrada entre homens (50,31%) e mulheres (49,69%). A idade média do inadimplente no estado é de 45,3 anos. Quanto ao tempo de atraso, o dado preocupa: a média é de 28,4 meses, quase dois anos e meio com o nome sujo, e 35,97% dos devedores estão inadimplentes há entre um e três anos.

Reincidência em alta: quem deve, volta a dever

O cenário se agrava quando se observa o perfil dos negativados. Em maio, 86,79% das negativações no estado foram de consumidores reincidentes, ou seja, que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos 12 meses anteriores. Desse total, 69,24% simplesmente não quitaram dívidas antigas e acumularam novas pendências. Outros 17,55% chegaram a sair da lista de devedores, mas retornaram.

O intervalo médio entre o vencimento de uma dívida e o surgimento de outra é de apenas 70,5 dias, pouco mais de dois meses. Nos últimos 12 meses encerrados em maio, o número de reincidentes cresceu 15,51% no estado. Entre os reincidentes, a faixa de 30 a 39 anos também lidera, com 27,51% do total.

Recuperação de crédito recua

Ao mesmo tempo em que a inadimplência cresce, a recuperação de crédito anda no sentido contrário. O número de consumidores que conseguiram sair da lista de negativados caiu 5,64% em maio de 2026 na comparação com maio de 2025. O resultado ficou ligeiramente acima da média do Centro-Oeste (-5,66%), mas bem abaixo da média nacional (-0,33%).

A queda se concentrou especialmente entre consumidores que levam de 91 dias a um ano para pagar suas dívidas, segmento que registrou retração de 12,31%. O tempo médio para quitação é de 11,1 meses, e 58,64% dos que conseguiram se recuperar pagaram até R$ 500 em dívidas. Em média, cada consumidor recuperado desembolsou R$ 2.798,22 para regularizar a situação.

Principais dados do relatório SPC Brasil, maio de 2026

Inadimplência

  • Inadimplentes cresceram 10,31% em MS ante maio de 2025, acima do Centro-Oeste (7,08%) e do Brasil (8,87%)
  • Dívida média por devedor: R$ 6.036,03
  • Média de dívidas por inadimplente: 2,426 pendências
  • Tempo médio de atraso: 28,4 meses
  • 35,97% dos devedores estão inadimplentes há entre 1 e 3 anos
  • Setor bancário lidera as dívidas em atraso, com 64% do total
  • Faixa etária com maior participação: 30 a 39 anos (25,74%)
  • Distribuição por sexo: 50,31% homens e 49,69% mulheres

Reincidência

  • 86,79% das negativações em maio foram de consumidores reincidentes
  • 69,24% não quitaram dívidas anteriores e acumularam novas negativações
  • 17,55% saíram da lista de devedores, mas voltaram a ser negativados
  • Intervalo médio entre uma dívida e outra: 70,5 dias
  • Reincidentes cresceram 15,51% nos últimos 12 meses no estado
  • Faixa com maior reincidência: 30 a 39 anos (27,51%)

Recuperação de crédito

  • Recuperações caíram 5,64% em MS na comparação com maio de 2025
  • Queda mais acentuada entre quem leva de 91 dias a 1 ano para pagar (-12,31%)
  • Tempo médio para quitação: 11,1 meses
  • Valor médio pago por consumidor recuperado: R$ 2.798,22
  • 58,64% dos recuperados pagaram até R$ 500 em dívidas

Fonte: SPC Brasil, dados de maio de 2026.

Compartilhe: