Com 44,42% da população adulta negativada em março, a entidade deterioração da renda das famílias e a falta de políticas estruturais para reaquecer a economia
O Brasil atingiu, em março deste ano, a pior e maior marca de inadimplência de sua história: 74,31 milhões de consumidores estão com contas em atraso. O dado, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, expõe uma ferida aberta na economia que não para de crescer e acende um sinal vermelho para o comércio. Para a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), os números não são apenas estatísticas, mas o reflexo de um cenário econômico adverso que asfixia o consumidor e paralisa o varejo.
A trajetória da inadimplência nos últimos meses ilustra a gravidade do problema. Em novembro do ano passado, o país já registrava a alarmante marca de 72,96 milhões de negativados. O quadro continuou se deteriorando: em fevereiro de 2026, saltou para 73,7 milhões, e agora, em março, quebrou um novo recorde, afetando 44,42% da população adulta brasileira.
Para a FCDL-MS, essa escalada exige uma reflexão crítica profunda. O avanço contínuo da inadimplência mostra que as famílias não estão conseguindo equilibrar o orçamento diante de um custo de vida persistentemente elevado e de um cenário de juros altos que encarecem o crédito.
O freio na economia e no balcão das lojas
A entidade reforça que a alta inadimplência é sintoma de uma economia frágil. O presidente da CNDL, José César da Costa, corrobora com essa visão ao alertar que o recorde de endividamento atua como “um freio no motor da economia nacional”. Quando quase metade dos adultos do país perde o poder de compra e sai do mercado de consumo, o ciclo de circulação de capital é interrompido.
“Sem crédito e com a renda corroída, o consumo das famílias trava, o que impacta diretamente o dinamismo do comércio e de todo o setor de serviços, retardando a recuperação econômica do país”, já havia destacado o presidente da confederação nacional sobre esse avanço trágico.
Contas básicas lideram o aumento das dívidas
Os dados revelam uma radiografia preocupante das finanças das famílias brasileiras. Em março, cada inadimplente devia, em média, R$ 5.044,65, possuindo dívidas com 2,31 empresas credoras. Chama a atenção da FCDL-MS o fato de que a população está tendo dificuldades para arcar com o básico para sobreviver. O setor que apresentou o maior salto evolutivo no número de dívidas foi o de Água e Luz, com um crescimento assustador de 27,28%, seguido pelos Bancos (17,26%).
Além do ambiente econômico desfavorável, a falta de base para lidar com as finanças agrava o problema. Como aponta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, sem educação financeira para entender o peso dos juros compostos e o custo real do crédito, “o consumidor limpa o nome hoje, mas volta a se endividar amanhã, mantendo o país em um ciclo eterno de vulnerabilidade financeira”.
A FCDL-MS reitera seu posicionamento em defesa do comércio de Mato Grosso do Sul, ressaltando que o setor produtivo não pode pagar sozinho a conta de uma economia estagnada. A superação desta crise passa obrigatoriamente por um choque de responsabilidade do governo para reequilibrar o ambiente macroeconômico, baixar os juros de forma estrutural e devolver fôlego e previsibilidade tanto para quem compra, quanto para quem vende.
Enzo Pereira
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Campo Grande – MS, 20 de abril de 2026